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Notícias Fabiano Bonadia em 08 Jun 2009

Passeata contra violência e adeus a Cleiton Santiago

Profissionais do mercado publicitário de Cuiabá, familiares e amigos de Cleiton Lucas Santiago, realizaram na tarde da última sexta-feira (05) uma passeata pelo fim da violência urbana. O motivo foi o assassinato do publicitário Cleiton, ocorrido dia 29 de maio, quando este se encontrava com mais um amigo numa sorveteria no centro da capital mato-grossense. Cleiton foi abordado por três rapazes, que além de roubar seu notebook, atiraram duas vezes contra sua cabeça. Levado ao hospital, ele não resistiu e faleceu.

Passeata Cleiton 03 - Passeata Cleiton 03


Entre os companheiros de profissão, parentes e amigos presentes na passeata, estava dona Benedita Inocência Santiago, mãe de Cleiton. Ela disse esperar que a passeata chame a atenção da sociedade para que os assassinos de seu filho paguem pelo crime que cometeram.

O fato vem repercutindo na mídia mato-grossense. Jornais televisivos, impressos, rádios, sites e blogs documentaram a manifestação, como podemos ver abaixo:

Midia News 01
Circuitomt 01
Gazeta Digital 01
PNB 01
O Documento 01
Propaganda MT
PNB TV
Gazeta Digital 02
Midia News 02
Olhar Direto 02
Diário de Cuiabá 02
TV Centro América 01
TV Centro América 02
RMT On Line
Mato Grosso On Line
O Documento

Talento de sobra
Cleiton trabalhava há três anos e meio no Departamento de Criação da Genius. Com 17 anos de profissão, era formado em Publicidade pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Desenho Industrial no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Mato Grosso. Torcedor fanático do Fluminense, era lutador de judô e praticava natação quase que sagradamente. Também era fã de HQs e cinema, assuntos os quais dominava como uma enciclopédia. Cleiton Lucas Santiago, talento que vai deixar uma baita saudade em toda a família Genius.

E ainda para homenageá-lo, uma carta da redatora Márcia Pedralino:

- Mas como um filho de flamenguista vira fluminense?
- Ah, foi minha mãe. Um dia, quando eu era pequeno, ela me levou ao estádio pra ver um jogo do Fluminense, sem ninguém saber. Ali, eu virei fluminense.

Numa conversa, entre um ajuste e outro de um folder, fiquei sabendo como o carioca/cuiabano virou torcedor do time arqui-inimigo do time do pai. Essa era mais uma fagulha do grande universo de histórias que formaram o caráter honesto, o temperamento tranquilo, o falar calmo, a forma obstinada, e algumas vezes, confesso, irritante de defender os pontos de vista em que acreditava.

O judoca que competia oficialmente, cartunista – segundo ele mesmo dizia – aposentado, cinéfilo que adorava acessar o Omelete, o publicitário de bom gosto, o fruto de um flamenguista e uma fluminense, teve seu universo interrompido, sua história estranhamente encerrada por uma coisa que definitivamente não combinava com sua pessoa, a violência.

Essa violência barata. Custou um notebook.

Essa violência sem hora, nem lugar. Às sete da noite em uma sorveteria.

Essa violência sem punição. Mais um criminoso reicidente.

Mais um plano desfeito. Ele ia a pra casa, mais tarde.

Mais uma perda. Sua mãe e seu pai estão órfãos de um filho que foi acalentado, que eles com muito orgulho ensinaram a andar, a falar, a ser honesto, a ser amigo.

Seus amigos e colegas ficaram perplexos, com medo e assim, se perguntando por quê? Quem vai saber dizer? Porque ainda não mataram jovens suficientes? Porque a violência ainda não atingiu o cúmulo suficiente para darmos um basta? Porque ela ainda não chegou perto suficiente de todas as pessoas que precisam se mobilizar e exigir dos seus eleitos ações mais concretas do que as promessas?

Bela sede da copa esse Mato Grosso. Bela sede da copa esse Brasil. Imaginem quanto orgulho sentiremos do país do futebol, do país do carnaval, do país da desigualdade social, do país da impunidade, do país do desrespeito aos direitos humanos.

Imaginem só, quantas belas notícias de assassinatos de torcedores, brasileiros e turistas teremos no evento? Eu já sei que serão muitas. Porque já sei, infelizmente, que nesse país a vida não está em primeiro lugar.

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